Vida de Henrique Uebel deve virar filme

História quer eternizar o "Homem-Orquestra" e será contada com contextualização do período vivido pelos imigrantes alemães no século XX Teutônia | Folha Popular | 21 de Maio de 2011 | 7

HENRIQUE UEBEL

5/21/20114 min ler

No dia internacional do museu, 18 de maio, o Museu Henrique Uebel, no Centro Administrativo de Teutônia, serviu de ponto de referência para o lançamento do projeto para a produção do filme de Henrique Uebel, o "Homem-Orquestra". O local não poderia ser outro, pois além do nome, o acervo mantém a peça única no mundo com a qual Uebel tocava sete instrumentos musicais ao mesmo tempo, fazendo jus ao título que recebeu.

O longametragem tem a concepção da Produtora Imagem Sonora, do Instituto Henrique Uebel (IHU) e das prefeituras de Teutônia e Westfália. Durante a coletiva de imprensa nesta quarta-feira, os representantes dos parceiros apresentaram detalhes do projeto. A intenção é resgatar não somente a história de vida deste talentoso músico, mas também retratar uma época, através de suas músicas, paisagens e acontecimentos históricos. "Não vamos contar a história da imigração em 1824, mas mostrar a comunidade alemã da época (século 20) como pano de fundo para a história do Henrique Uebel", observou Jéferson Mundel, diretor executivo da Produtora Imagem Sonora.

"São dois a três meses de pesquisa para ambientação e elaboração do roteiro. Depois tem a captação de recursos, prazo sobre o qual não temos controle. E por fim, mais um ano de trabalho a campo, entre filmagens, edição, pós-edição, etc. A visão mais otimista é ter o filme pronto em dois anos (2013)", projeta Mundel.

O diretor executivo do longametragem procurou o roteirista Ulisses Costa, que já conhecia a história de Henrique Uebel e mostrou-se muito interessado. "O projeto cabe com perfeição porque a história é fora de série, com uma pessoa sem formação clássica na música e na engenharia dominou de forma impressionante as duas áreas e viveu da música. Também é perfeito porque proporciona um resgate cultural da cultura germânica de forma mais correta, sob um ângulo ainda não explorado", destacou Costa.

Agora, o trabalho ingressa no primeiro estágio, que consiste na elaboração da primeira versão do roteiro. São 120 páginas a serem escritas em dois a três meses. "É a primeira versão obrigatória, a partir da qual partimos para as próximas e evoluímos de uma para a outra", salientou Ulisses Costa.

A produção do longa-metragem está estimada em R$ 2 milhões e devem ser envolvidos diretamente no projeto um total de 600 pessoas, incluindo figurantes, equipe técnica e equipe de apoio. Os recursos devem ser captados via Lei do Áudio Visual, do Ministério da Cultura, sob responsabilidade por Cecília Daudt e Cida Velo, ambas produtoras culturais do Estado.

De onde surgiu a ideia

Tudo começou quando o diretor e produtor da Imagem Sonora, Jéferson Mundel, ouviu uma gravação em fita cassete de sua tia, ex-locutora da Rádio Alto Taquari, e que entrevistou Henrique Uebel no início da década de 1970. Depois, procurou a Secretaria de Cultura de Teutônia e teve acesso ao livro escrito em 2006 por outro familiar de Uebel. "A história me encantou por dois detalhes: ambientou a vinda da família e as dificuldades da época, e por Henrique Uebel ter começado tardiamente na música teve a ideia de tocar vários instrumentos", comentou. Na visão de Mundel, o "Homem-Orquestra" vai muito além do simples fato de montar um equipamento que lhe permitia tocar sete instrumentos musicais ao mesmo tempo.

Participação do IHU

O presidente do Instituto Henrique Uebel (IHU) e neto do "Homem-Orquestra", Airton Henrique Uebel, salienta que o instituto foi oficializado no dia 15 de setembro de 2010, com o propósito de efetuar um trabalho árduo, incessante e que resgatasse a história de Henrique Uebel. "Temos muito material, mas pouco se expôs até hoje. Aos poucos, de diversas formas, queremos disponibilizar esse material, e o filme é uma dessas maneiras", comentou.

Uebel ressalta que conviveu 17 anos com o avô e "ele sempre mencionou que gostaria de ir aos Estados Unidos e fazer um filme dele. Em 1999 surgiu a ideia de um documentário, mas este projeto de longametragem é mais amplo, pois além da história do Henrique Uebel haverá um resgate de época, da cultura germânica".

Além disso, o presidente do IHU destaca que o instituto não pretende criar concorrência com os movimentos culturais existentes, mas proporcionar um trabalho ligado à vida do músico. "Temos projetos para o aspecto sócio-cultural, para atender crianças carentes, com escola de música, entre outros", salientou Airton Uebel.

Lideranças destacam iniciativa

O prefeito de Teutônia, Renato Airton Altmann, entende que o filme será um importante resgate histórico e cultural da família e da comunidade. "Teutônia e Westfália apostam neste projeto importante e louvável, pois é uma oportunidade de resgatar a história de um povo", ponderou.

Para o prefeito de Westfália, Sérgio Marasca, acredita que o filme divulgará os municípios além fronteiras. "Será um marco cultural para a região, pois Henrique Uebel faz parte da expansão econômica e cultural da região. O filme trará grandes frutos, pois divulgará as cidades e a região além fronteiras, assim como Henrique Uebel fez na sua época, com todas as dificuldades", argumentou.

O vice-prefeito e secretário de Cultura de Teutônia, Ariberto Magedanz, entende que este será um produto cultural e turístico importante para Teutônia e Westfália. "Estamos lançando a semente e torcemos para que saia do papel para projetar os dois municípios e a região. É um projeto ousado, mas tudo começa em um sonho", observou.

O professor de História Élio Dahmer ressalta que "Teutônia e Westfália estão separados politicamente, mas culturalmente jamais estaremos divididos, porque tudo originou-se da Colônia Teutônia". Para o pastor sinodal Marcos Bechert, este longametragem materializará um momento importante da história regional, com destaque "a valores como a fé e a cultura".