O descendente de imigrantes alemães Henrique Uebel executava mais de dez instrumentos, sendo que até sete, simultaneamente
62 ZERO HORA QUARTA-FEIRA, 20 DE NOVEMBRO DE 2013 ALMANAQUE GAÚCHO RICARDO CHAVES Leia o blog: zerohora.com/almanaquegaucho almanaque@zerohora.com.br
HENRIQUE UEBEL
5/16/20261 min ler


O homem-orquestra
Henrique Uebel nasceu em 1906, num distrito de Estrela, conhecido na época como Linha Schmidt, e que hoje é o município de Westfália. Ele era agricultor, homem simples e carismático, dotado de capacidade intelectual incomum e um virtuose quando se tratava de música. Um autodidata que idealizava e construía os aparelhos musicais em que executava, simultaneamente, até sete instrumentos. O jornal alemão Die Rheinpfalz, numa reportagem de 1959, chamou-o de “Orchestermann” (homem-orquestra), enfatizando tratar-se de algo “simplesmente único, inigualável”.
Uebel, com os dedos dos pés, tocava piano, tambor, pratos da bateria e baixo da gaita. Com o joelho esquerdo, acionava o fole da gaita, e com o direito mudava a tonalidade. Com a mão direita, tocava a melodia do bandônion, com a mão esquerda, o baixo, e ao mesmo tempo executava o trompete usando o polegar direito e o punho. Para a gaita e a flauta, usava só a mão esquerda e, com o nariz e o queixo, selecionava a tonalidade da gaita de boca (que eram, na verdade, seis gaitas de boca unidas, uma concertina). O violoncelo era tocado com a mão esquerda e tinha o arco preso à cadeira em que sentava e onde, por vezes, estava também o trompete. A mão direita se encarregava da gaita ou da escaleta. Um violino ficava preso ao suporte do trompete, que era executado com o acompanhamento dos instrumentos acionados com os pés. Quem viu (e ouviu) disse que era tudo perfeitamente sincronizado e harmonioso.
Quando Henrique Uebel, o “homem-orquestra”, morreu, em 1973, teve seu legado reconhecido, e ruas foram batizadas com seu nome nos municípios de Westfália e Estrela. O mesmo aconteceu com o museu de Teutônia. Em 2010, foi criado o Instituto Henrique Uebel (IHU), entidade sem fins lucrativos voltado para atividades socioculturais, que promove parcerias com as prefeituras da região. Inclusive, no próximo sábado, dia 23 de novembro, em Westfália, ocorrerá o 3º Jantar Baile Cultural, onde será apresentado o projeto social Música na Escola.
Colaborou Selby Wallauer
