Arte é perpetuada para as futuras gerações

CDs com músicas gravadas pelo “Homem Orquestra” nas décadas de 40, 50 e 60 já estão à venda

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9/22/20164 min ler

Se a qualidade não é a melhor, por se tratar de uma remasterização a partir de fitas magnéticas originais gravadas em programas e apresentações realizadas entre as décadas de 1940 a 1960, os dois CDs de Henrique Uebel, o “Homem Orquestra”, lançados na noite de 15 de setembro, representam um verdadeiro tesouro histórico. A noite cultural, realizada na sede da Associação Cultural e Esportiva Fluminense, abriu com a apresentação de estreia da Orquestra Sinfônica do Instituto Henrique Uebel (Osihu). Regida por Airton Guilherme Grave, a Osihu mostrou muita versatilidade, tanto pelo repertório variado, que incluiu temas famosos do cinema, de artistas internacionais consagrados e das culturas brasileira, gaúcha e alemã, quanto de seus integrantes, que tocaram instrumentos, cantaram e realizaram coreografias de dança.

O regente, Airton Guilherme Grave, agradeceu ao apoio da administração municipal, dos pais e dos próprios jovens que integram a Osihu e reconheceu que toda a estreia causa nervosismo. “Nossa orquestra está começando e ainda vai crescer muito a partir da entrada de novos instrumentistas, como baterista, baixista e guitarrista”. Grave destacou a iniciativa do presidente do Instituto Henrique Uebel (IHU), Airton Uebel, tanto para a formação da Osihu, quanto para o lançamento dos CDs. "O Henrique foi o único no mundo até hoje a tocar sete instrumentos. E ele é daqui, nascido na Westfália. Seu talento precisa ser valorizado", lembrou.

O secretário municipal de Educação, Gustavo Sieben, falou sobre o surgimento da ideia de criação da Osihu, em 2011, iniciativa prontamente apoiada pela administração. Agradeceu pela confiança dos pais e enalteceu a importância da música para a formação dos jovens, insistindo que para ser músico é necessário muita dedicação.

Eternizado

A partir de fitas magnéticas de gravações da metade do século passado, Grave editou os dois volumes de CDs de áudio com gravações de Henrique Uebel. Cada CD tem 14 faixas e em algumas delas o “Homem Orquestra” detalha ao público como fazia para tocar os instrumentos simultaneamente. Se a qualidade do áudio não é como aquela das gravações de hoje em dia, com uma gama imensurável de recursos digitais, a remasterização permitiu que se mantivesse a originalidade do trabalho, transportando a memória do ouvinte para os velhos programas transmitidos pelas rádios de ondas médias no Século XX. E esta fidelidade faz com que seja perfeitamente possível perceber toda a genialidade musical de Henrique Uebel, além das dificuldades naturais para executar tantos instrumentos ao mesmo tempo. A direção do trabalho é do presidente do IHU. Airton Uebel lembrou que a arte do avô é considerada Patrimônio Imaterial de Westfália desde 15 de agosto de 2014, após projeto aprovado pela Câmara de Vereadores. “Hoje, 15 de setembro, é uma data significativa: o IHU completa seis anos”. Ele frisou as dificuldades enfrentadas para manter os projetos em atividade, principalmente pela falta de recursos, mas reconheceu que a parceria da administração municipal é fundamental. Destacou que os alunos que desejam integrar a Osihu têm aulas gratuitas e ainda recebem o instrumento, que pertence ao IHU, tendo que devolvê-lo quando saem da orquestra. Relatou que na apresentação em Agudo (RS), no dia 10, os jovens foram aplaudidos entusiasticamente por mais de 300 pessoas. Ele agradeceu aos donativos de alimentos não-perecíveis, reforçando que as entidades beneficiadas são a Escola de Educação Infantil Mônica, o Centro Municipal de Atendimento no Turno Inverso às Aulas (Cematia), ambas de Westfália, e o Hospital Ouro Branco (HOB), de Teutônia.

Saiba mais

O histórico do “Homem Orquestra” foi apresentado por sua neta, Leonice Uebel Petter. Nascido em 1906, na então localidade de Linha Schmidt (hoje Westfália), pertencente na época a Estrela, Henrique foi autodidata, ou seja, aprendeu a tocar sozinho. Montou o primeiro instrumento nos anos de 1933 e 1934, apresentando-se em 1935 no Parque Farroupilha, em Porto Alegre, por ocasião das comemorações do centenário da Revolução Farroupilha. Excursionou pelo interior do Rio Grande do Sul e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), pela falta de combustível, reduziu as viagens, dedicando-se a aperfeiçoar seu multi-instrumento. Depois, de 1948 a 1959, seguiu excursionando e ganhou o Brasil, apresentando-se, em 1954, no aniversário de 400 anos de São Paulo, além de realizar um especial para a TV Tupi. Mostrou seu talento também no Rio de Janeiro.

Com a despedida do diretor do Colégio Martin Luther, Hans Bernd, o qual retornou para a Alemanha em 1958, surgiu a ideia de levar a arte do gênio westfaliano para a Europa. A viagem, de navio, iniciou em 4 de julho de 1959 e a chegada na Alemanha, após passagem pela França, se deu em 25 de julho daquele ano. Foi convidado para uma apresentação na TV Köln, a maior da Alemanha, tendo inclusive gravado em especial para a emissora, que viria a ser exibido em 31 de janeiro de 1960 em rede europeia para 40 milhões de espectadores. Obteve grande destaque nos jornais na época.

De volta ao Brasil, em 1961 iniciou a construção de seu quinto e último instrumento, seguindo com suas excursões pelo oeste do Paraná, interior do Rio Grande do Sul, além de apresentações para as TVs Piratini, Difusora, Gaúcha e TV Paraguai. Henrique faleceu em 8 de janeiro de 1973. Quem tiver interesse em adquirir os volumes 1 e 2 do CD “O Homem Orquestra” pode entrar em contato com o IHU, pelo fone (51) 9509-4555.

Alimentos

Na manhã de sábado, 17 de setembro, o presidente do IHU, Airton Uebel, e a diretora administrativa, Maristela Klein, fizeram a entrega dos 264kg de alimentos não perecíveis arrecadados na noite cultural, sendo que cada entidade foi beneficiada com 88kg. Pela EEI Mônica, o presidente Euclides Hollmann fez a retirada. Pelo Cematia, igualmente o presidente da entidade, Fernando Wahlbrinck, recebeu os donativos. Já o HOB foi representado na oportunidade por Sandra Rückert.